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SILÊNCIOS QUE FALAM II

Silêncios que falam II.jpg

SILÊNCIOS QUE FALAM II

Ah, este silêncio... e cunho de mestria!...
Esta lição, licenciada na falta de palavras,
Todo este murmúrio nocturno,
Repleto de soberba sabedoria,
Quanta água benta, no fogo da agonia,
Apagando as feridas do mais taciturno,
Escalando a escarpa mais agreste,
Aula de luz dos incompreendidos,
Quadro de reflexão dos desprotegidos
E de quanto contra nós investe,
Quantas vezes pior que pedradas
E se tal fosse, tanto mal não nos faria.
Ah, todos estes profundos conselhos,
Por tal escuridão silenciosa!...
Ah, proféticos rumores, já tão velhos
E sem a menor invasão manhosa!...
Oiço e tomo nota, a quanto me dizem,
Guardo o que de melhor aconselham,
Que por meus futuros rumos deslizem
E como bons amigos se assemelham.
Ah, maravilhosa penumbra de sossego,
Que noite fora me arrastas,
Me deleitas no aconchego
E, ao invés de demais, não me maltratas!...
Ah, silêncios que falam
E, incondicional, tamanho nos amam!

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
Todos os Direitos de Autor reservados e protegidos nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto - Código do Autor. O autor autoriza a partilha deste texto e/ou excertos do mesmo, assim como a imagem inédita, se existente, desde que mantidos nos seus formatos originais e obrigatoriamente mencionada a autoria da obra intelectual.

 

NO SILÊNCIO ME CONFESSO

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NO SILÊNCIO ME CONFESSO

... E por nada deste mundo sou crente!
Não acredito em Deus, santos e padres,
Não aceito as igrejas e seus compadres,
Só olhando o Sol que tenho pela frente...
Sento-me por qual pedra, em confissão,
Olhando o pôr-do-sol, que já bem longe,
Entrego-me ao estudo de tanta confusão,
Trajando de minhas vestes e tal monge...
Pelo chegar do crepúsculo, assim medito,
Entregando-me à mais da perfeita oração
E sinto-me, por este mundo, ser maldito,
Aborto duma certa pior espécie e geração...
Olho as nuvens, as liberdades que voam,
Na abstinência deste meu confessionário,
Ouvindo o que os ventos me apregoam,
Como versículos e pra outro destinatário...
Rezando à minha religião e Mãe Natureza,
No perdão dos pecados que não controlo
E saindo dali, com tamanha e tal certeza,
Em quanta firmeza e protegido consolo...
Ao longe, nada mais existe que o ocaso,
Qual protecção para os mal-aventurados
E todo este sossego não chega por acaso,
Pois tal é a penumbra dos meus recados...
E, em penitência, início os meus passos,
Deixando pra trás quantos meus pecados,
Traçando na rocha parte dos piores traços
E por quantos dos caminhos mal traçados...
A noite é-me capa de quantos infortúnios,
Abafando a caminhada e a que se faz tarde,
Ouvindo-se aves de agoiro e sons inglórios
E fazendo do tempo espaço que tanto arde!

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
Todos os Direitos de Autor reservados e protegidos nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto - Código do Autor. O autor autoriza a partilha deste texto e/ou excertos do mesmo, assim como a imagem inédita, se existente, desde que mantidos nos seus formatos originais e obrigatoriamente mencionada a autoria da obra intelectual.

FODAM-SE, MAS NÃO A MIM!...

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FODAM-SE, MAS NÃO A MIM!...

Qual o espanto de foder?...
Só nos resta foder, ou sermos fodidos...
Por mim, prefiro não ser fodido!
Passamos a vida a desviar o rabo,
De quem se diz ser o mais nabo,
Dando o dito por mal-entendido,
Armados em esquisitos, desentendidos
E fazendo-nos por esquecer!
Assim e sem dúvidas, prefiro a defesa,
–Ao contrário de tanta gente lesa!–,
Em não voltar as costas a ninguém,
–Diferente de quanto alguém!–
E, no possível, teso do meio para baixo,
A um palmo do umbigo,
Sendo que a ninguém eu deixo,
Nem ao meu maior amigo,
Que me entrem pela traseira...
–Não caio em tamanha asneira!–
Que fodam quem quer que seja,
A mim, nunca e enquanto eu veja!...

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
Todos os Direitos de Autor reservados e protegidos nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto - Código do Autor. O autor autoriza a partilha deste texto e/ou excertos do mesmo, assim como a imagem inédita, se existente, desde que mantidos nos seus formatos originais e obrigatoriamente mencionada a autoria da obra intelectual.

É IMPORTANTE FODER

Mário Cesariny.jpg

É IMPORTANTE FODER

É importante foder (ou não foder)?
É evidente que não, não é importante.
Fode quem fode e não fode quem não quer.
Com isso ninguém tem nada
Mas mesmo nada
A ver.

O que um tanto me tolhe é não poder confiar
Numa coisa que estica e depois encolhe,
Uma coisa que é mole e se põe a endurar e
A dilatar a dilatar
Até não se poder nem deixar andar
Para depois se sumir
E dar vontade de rir e d’ir urinar.

Isso eu o quis dizer naquele verso louco que tenho ao pé:
“O amor é um sono que chega para o pouco ser que se é
”Verso que, como sempre, terá ficado por perceber (por mim até).

Também aquela do “outrora-agora” e do “ah poder ser tu sendo eu
” foi um bom trabalho.
Para continuar tudo co’a cara de caralho
Que todos já tinham e vão continuar a ter
Antes durante e depois de morrer.

Mário Cesariny
in “o virgem negra” assírio & alvim (1996)

BALADA DA NEVE

Augusto César Ferreira Gil.jpg

BALADA DA NEVE

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
- Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
- e cai no meu coração.

AUGUSTO César Ferreira GIL
Nasceu a 31 Julho 1873
(Lordelo, Portugal)
Morreu em 1929
Advogado e poeta português, viveu praticamente toda a sua vida na Cidade da Guarda, onde colaborou e dirigiu alguns jornais locais.

VOANDO COMO ANJO

Voando como anjo.jpg

VOANDO COMO ANJO

Fecha os olhos e pensa num anjo,
Voa, nas suas asas, para longínquas paragens,
Tenta entender o teu sofrimento
E que poderá ficar para trás...
Faz por compreender o que nunca entendeste,
Transmite a tua alegria nas cordas de um banjo,
Dispersa a tua tristeza no deslizar de violino,
Partilha a vida no tocar de qualquer harpa,
Seguindo por entre nuvens, brancas de neve,
Corpo de águia, falcão, majestoso condor
E larga a tua mais distante dor,
No planar do mais quente vento fino,
Correntes de paradisíacas aragens,
Desfrutando todo o momento,
Em voos rasantes de escarpa,
Ao encontro do que sempre perdeste,
Esquecendo cujo não deste, mas por ora dás,
Nada temendo, como quem nada deve...
Encerra as pálpebras, reflecte na vida
E pensa como te foge, em desmedida!...

( Manuel Nunes Francisco ©® )
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NÃO SOU SURDO, NEM MUDO

Não sou surdo, nem mudo.jpg

NÃO SOU SURDO, NEM MUDO

Eu sei o que preferiam!...
Não que eu fosse surdo,
Mas, de preferência, mudo...
Um simplório mentecapto
E que pudessem manobrar,
À vossa mais fiel vontade,
Sempre escravo e apto,
Ao quanto do vosso falar!
Enganam-se e assim me criticam,
Na mais profunda revolta
E não entendem, nem abdicam,
Quando vos entrego a verdade
E pensamento, à vossa porta...
E revoltados mais ficam!
Eu sei que não sou vosso servo,
Muito menos qualquer escravo,
Dou coices, tal besta, quando me picam,
Cheirando a palha que me espalham...
E sei que adoravam de me encabrestar,
Mas tirem o cavalinho da chuva,
Que este animal não sabe zurrar
E os dentes assentam-vos como luva!
Não sou surdo e de mudo nada tenho
E pelas vossas críticas não emprenho!...

( Manuel Nunes Francisco ©® )
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ESTE MEU CIRCO...

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ESTE MEU CIRCO...


Muitos questionarão a razão pela qual chamo "ESTE MEU CIRCO", mas quem me conhece particularmente sabe ao que me refiro e a que passo a explicar: Muitas vezes, sento-me num ou noutro local, esplanada, banco de jardim, etc., observando tudo à minha volta, como se um circo, onde desfilam belíssimos artistas, mas e infelizmente, a grande maioria autênticos e questionáveis palhaços. Esta tarde foi a vez de me sentar na esplanada exterior, mais propriamente para fumadores, do Modelo/Continente, Quinta do Conde, no Concelho de Sesimbra... À minha frente, sentaram-se dois seres do sexo feminino, brancas, –poderiam ter sido do sexo masculino, de qualquer raça, cor e etnia, que nada mudava de assunto!–, na casa dos trinta, trazendo consigo um bule de chá, em casquinha, ou algo semelhante, –talvez inox!–, duas chávenas de vidro e com o respectivo rebordo a condizer e algo para comer, seguido de fumar; até aqui, tudo bem, mas e qual o meu espanto, quando se levantam, olhando-me e olhando as tralhas referidas, ala que se faz tarde e sem a noção do espaço encoberto, com pessoas à volta e sempre à espera do alheio, por razões que não vou aqui mencionar! Eu sei, que neste triste Portugal, a sociedade entende que, se pagou, tem o direito a tudo e que mais, até porque os próprios comerciantes têm a ideia, –errada!–, que o cliente tem sempre razão, no receio de o perderem e sendo esta a triste moral de ambas as partes. Neste caso, as referidas pessoas entenderam que, se os artigos fossem roubados, não seriam assunto e problema delas, esquecendo-se que, por estas e outras semelhantes situações, tudo é contabilizado e nunca para perder, logo, todos os clientes, ao comprarem um determinado produto, em vez de pagarem o valor real, pagarão uma pequena percentagem a mais para equilíbrio dos respectivos prejuízos, incluído eu e que não tenho culpa de tanta estupidez e ignorância, assim como falta de moral. Dizendo algo mais, este espaço não tem serviço de esplanada e com valor acrescentado de preço, o que leva ao direito de devolução ao interior de tudo o que é trazido ao exterior, até porque ninguém é criado, ou escravo, de outro alguém, desde que o serviço não esteja incluído. Concluindo, fui lá dentro, não por obrigação, mas por revolta, avisando e como alerta para o que se estava a passar e, por consequência, se iria seguir por desvio do alheio, afirmando eu próprio não ter recolhido os objectos ao seu devido lugar porque não era criado das ditas "senhoras", a que me agradeceram, embora sem necessidade, nem foi essa a minha intenção... A falta de moral, arrogância e prepotência, comungam à mesa dos portugueses e desculpem-me as poucas excepções cada vez menos existentes!


( Manuel Nunes Francisco ©® )

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O TERCEIRO CALHAU

O terceiro Calhau.jpg

O TERCEIRO CALHAU

Ai, como estranho este Calhau,
O terceiro a contar desde o Sol
E Universo um quanto sem jeito...
De dia, persegue-me a sombra,
Enquanto ando à vista de todos;
À noite, essa mesma se esquiva
E então que vivo na penumbra,
Sem que ninguém me observe...
Por tão estranho é este mundo!...
Por tais viagens e por minha nau,
Em velas soltas, feitas de lençol,
Estendidas ao comprido do leito,
Olho a Terra, tudo me assombra,
Enquanto ressoam tantos brados,
Aguardando de Deus tal missiva,
Ou sua mão divina, que os cubra,
Outros tais pedindo que os leve...
Pra longe deste terreno imundo!...

( Manuel Nunes Francisco ©® )
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QUAISQUER MOMENTOS

Quaisquer momentos.jpg

QUAISQUER MOMENTOS

Não terei sido qualquer invento,
Nem e ao que parece, qual plágio
E aquilo que sou nem eu comento,
Tamanho seria por meu sacrilégio.

Terei sido um qualquer momento,
Inacabada obra, por tal ansiedade,
Horas ébrias, sem um fundamento
E cuja verdade nunca foi a vontade.

Amor houvesse e eu seria superno,
Cor brilhante de suprema aguarela
E de aplaudido museu do Universo...

Nunca um corcunda deste Inferno,
Rebuscado numa maléfica mistela
E que nada mais é que reles verso!

( Manuel Nunes Francisco ©® )
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