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NA TUA OBEDIÊNCIA

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NA TUA OBEDIÊNCIA


Na tua obediência, sê tu e nunca outro,
Não sendo quem não és, ou não queiras...
Sê fiel a ti mesmo, a quem mais te serve,
Humilde para com o chefe, o teu patrão,
Se é que deles precisas e tanto eles de ti,
Fazendo parte duma parte e de um todo
E nunca esquecendo quem te está acima;
Obedece a quem mais seja teu superior,
Mas que nunca ninguém a ti o mais seja...
Procurando encontrar quem não te veja,
Na busca de que nem sempre tens razão,
Mas que ironicamente nisso tanto teimas...
Percebe a razão dos outros, naqueles sinais
Que nunca ousaste entender, no teu cinismo;
Não te escondas nessa avareza e riqueza,
Nem tenhas vergonha dessa tua pobreza,
Pois que a maior fortuna é o teu coração
E nunca aquilo que mostras na tua mão...
Sê concreto no valor do teu pensamento,
Procurando soluções para o teu lamento
Nos caminhos mais tortuosos da alegria,
Pondo de parte toda e qualquer teimosia,
Num qualquer analgésico a essa tua dor...
Percebe que não te é fácil esse teu modo,
Muito menos para quem a teu lado lida...
Pior se esse alguém faz parte da tua vida.
Entende que nunca serás nada, ou alguém,
Se teimares que não precisas de ninguém,
... Será esse o teu pecado e num pior final,
Tanto mais que reclamas um teu celestial.
Sendo tu, que te proclamas, em tua cisma,
Como superior a tudo e a todos os demais,
Nunca te esqueças que és de ti um servo,
À escravatura te ti próprio, nesse egoísmo,
À servidão de tantos e semelhante escravo,
Tanto mais, se não reconheceres esse lugar
Do teu semelhante, que obediência te deve
Nalguma equação matemática de igualdade,
Que tu tanto apregoas de teu irmão e amar,
Senão à hipócrita declaração de tua maldade
E teu olhar para mim, renegando o que senti
Nalgum puro sentimento, que em ti procuro
Enquanto me acompanhas, calmo e sereno,
Mas com o pensamento repleto de veneno,
Por estes caminhos que tão de mim são teus
Nesta minha obediência e que de ti são meus...
No teu acatamento, busca nesse teu trilho,
Sem tropeçares, ou tão-pouco empurrares
Quem quer que seja, como mero empecilho
... E dando o que queres, sem nunca te dares!


( Manuel Nunes Francisco ©® )

 

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