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MEU DESTERRO

Capricórnio.jpg

MEU DESTERRO

 

Sou beirão e bem marcado,
Enxertado em corno de cabra,
Nascido lá para trás dos montes,
Num qualquer vale desfigurado,
Nem por Satanás mencionado,
Quanto mais encontrado!...
Onde, talvez, existam mil fontes,
A par das dores, sem parte igual...
Puseram-me a caminho, desterrado,
Para tal desenhada selva urbana,
Sem nada que houvesse de sobra,
Para quem já não tinha nada,
Numa vida mal arrumada
E onde cada qual a seu fado.
De tantos chutos, aprendi o jogo
De tamanha vida mundana
E da forma mais banal...
Subi árvores, saltei muros,
Queimei-me, em cálculos de fogo,
Levei, na fuça, alguns murros
E, no meio de tanta mossa,
Tive que aprender, à força,
Por entre chacota e troça,
O amargo de quanta fossa...
Limpei-me e segui em frente,
Desse ponto que então deixei
E, não deveras contente,
Chegou o dia em que voltei...
Hoje, em demais secreto orgulho,
Sinto-me, tanto quanto, farrapo,
Merda limpa em qualquer trapo,
Lançado ao mundo e malparido,
Eis-me, tão arrependido,
Fazendo parte deste entulho!...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
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