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ÁGUAS DE INFORTÚNIO

Águas de infortúnio.jpg

ÁGUAS DE INFORTÚNIO

 

Águas que desabam e inundam os campos
E que lavam as estradas, por onde passam,
Encharcam almas, gélidas e que necessitadas,
Num desconforto e tortura, de almas penadas,
Enquanto, outros mais, não vêem, nem pensam,
Na sua avidez e conforto, peito e cinto esticado,
Soberbo relógio, calça vincada e oiro pendurado,
Sob quantas pontes correm tais rios de degredos...
Pingam forte, ou simplesmente de mansinho,
Mas molham e fazem correr outras tantas águas,
Tantos são os olhos e maiores são as mágoas,
Em que cada, triste e esquecido, no seu cantinho,
Mói e remói, em quantos assuntos mergulhado...
Para quantos sobrevivem, viver não é um achado!
Águas, que te encharcam o corpo e tuas vestes,
Limpam as pedras da calçada, de uma assentada
E, nesse teu buraco, nada te resta, se te despes,
Tanto que é essa a única roupa e além do nada...
E choras, reclamando algo e ao que tens direito,
Sem que ninguém te escute, sentado nesse teu leito!...
Desembrulhas algumas côdeas e já molhadas, de pão,
Bolorento, que algum contentor de lixo te forneceu,
Bebendo água da chuva, com esse outro teu irmão,
Que, por longas e percorridas estradas, te conheceu...
E vais mastigando, como podes, na falta de dentes,
Enquanto extrais parte de algumas partes podres,
De uma mísera fruta e que, por sorte, veio à mão,
Partilhando palavras de conforto, nessa escuridão,
Por quantas histórias e deveras tristes, para contar,
Com quanto exteriorizas o que mais tens e sentes
E mal-aconchegado nas tuas roupas e seus odores...
Num improvisado tecto, de latas que te cobrem
E que recolheste num descampado, bate a chuva,
Escorrendo por incerta e ferrugenta parte lateral,
Enquanto, nessa tua mente, já demasiado turva,
Questionando, mais uma vez, se voltas a acordar
E pensando naqueles que, como tu, tanto sofrem,
Reclamas por algum descanso, merecido e final,
Ao que tuas águas, salgadas, à chuva se enlaçam,
Por passeios, onde passeiam quantos te abandonaram...
Para eles, não passas de mais um indolente, por conceito
E, teres vindo ao mundo, não foi virtude, mas um defeito!

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
Todos os Direitos de Autor reservados e protegidos nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto - Código do Autor. O autor autoriza a partilha deste texto e/ou excertos do mesmo, assim como a imagem inédita, se existente, desde que mantidos nos seus formatos originais e obrigatoriamente mencionada a autoria da obra intelectual.

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