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PARASITAS DO PENSAMENTO

Parasitas.jpg

PARASITAS DO PENSAMENTO

Drástico, horrendamente punível,
Esta lusa sociedade de carpideiras
E chorando artífices, após a morte
E até então entregues à sua sorte...
Choram-se as artes, fora de norte
E sem que a bússola aponte beiras,
Nem beiras, a telhados de sofrível...
E artistas morrem, demais pedintes,
Sem que as obras sejam glorificadas,
Mas todos admirando tamanha arte,
Desde que numa borla e surripiadas...
Quanto a pagar, são maus ouvintes!
Reles sociedade e de tais ignorantes,
Pelo que a Cultura geme no Inferno,
Em tamanha hipocrisia e nestes céus,
Espectadores a bater palmas à conta,
Que bastidores da obra não importa,
Sendo trabalho em clima de Inverno,
Em Verão derretido e banco de réus...
Tão horrível, miseravelmente ignóbil,
Ler, escutar, ver, por conta aprender,
À custa do trabalho de quem pensou
E pelo qual nunca poderá sobreviver,
Mesmo havendo quem tal comentou,
Em lindas palavras de um qual imbecil!...
A escrita, a música, a pintura, tais artes,
Têm direitos de autor pela composição,
Sem direito ao uso por qualquer ladrão!...
São caminhos meus e de demais artistas,
Que não merecem calcares de parasitas...
Por entre toda esta e tamanha questão,
Quem de vós gosta de trabalhar em vão?...

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
Todos os Direitos de Autor reservados e protegidos nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto - Código do Autor. O autor autoriza a partilha deste texto e/ou excertos do mesmo, assim como a imagem inédita, se existente, desde que mantidos nos seus formatos originais e obrigatoriamente mencionada a autoria da obra intelectual.

WALDEMAR BASTOS

Waldemar Bastos.jpg

WALDEMAR BASTOS

Dou comigo numa tal tristeza,
Meu Muxima não quer aceitar,
Não compreende esta certeza,
Esta partida de figura de altar...

Mais um mestre que nos deixa,
Pensando quando chega a hora,
A nossa e que ancora de fateixa,
Sem que nos valha qual Senhora...

Nem Deus, pois que já nos requer,
Tal como este mestre a si chamou
E sem interrogar os valores sequer...

Estou triste, mas isso não importa,
Importando a obra que nos deixou
E mundo que não lhe fecha a porta!...

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
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FRUTOS DO TEMPO

Frutos do Tempo I.jpg

FRUTOS DO TEMPO

Vamos retirar ao tempo,
O que o tempo nos tirou,
Colhendo por esse campo,
O que o tempo já plantou...

Sementeiras de desilusão,
Pelos regos de promessas,
Arados em suores, à mão,
Em leiras tanto às avessas...

E nada de travar o relógio,
Pois a hora soma e segue,
Sem que mereça o elogio!...

Havendo que colher frutos,
Mesmo que a vida os negue,
Por só alimentar os astutos!...

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
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CARTADAS DO TEMPO

Cartadas do tempo.jpg

CARTADAS DO TEMPO

Sentei-me naquele banco de cimento,
Rude e um quanto tosco, de um jardim...
E fixei dois idosos, olhando para mim,
Dizendo passar o tempo, nas cartadas,
– Mas é o tempo que tal passa por eles! –,
Num jogo feito à mesa de certo canto,
Em agradável despique e sentimento,
Aquela forma de viver noutro encanto,
Que me deixou prisioneiro no tempo,
Pois assim ficou, inerte, nesse campo
E, portanto, tanto meu e não só deles!...
Saboreei, de longe, todo o divino jogo,
Em repetidas vezes tais cartas lançadas,
Na frescura de uma sombra e desafogo!...

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
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MONTEI-A DE PRAZER...

Montei-a de prazer....jpg

 

MONTEI-A DE PRAZER...

Ah, hoje, confesso que não resisti
E montei a tal irrequieta japonesa!...
Demasiado tempo que não o fazia,
Esta loucura, que me leva aos céus...
Sim, montei-a e na ânsia de o fazer
E sem argumentos a minha defesa,
Ouvindo aquela força a chamar-me,
A ajustar-me naquela pele genuína,
O corpo reluzente e a provocar-me,
Convidando-me a um qual orgasmo!...
Seriam tempos de tamanho prazer,
Sentindo no corpo um tal espasmo,
Que de tudo e demais me esquecia...
Fazendo pausas, mas nunca desisti,
Acariciando as curvas de forma fina,
Seguindo por túneis, contornos seus,
Tais soberbos recantos e tanto meus,
Reclamados pela oferta de um deus...
Às vezes, troco-a pela louca italiana,
Seguindo os olhos numa americana,
Continuando, desenfreado, carago!...
Montando, abusando, desta Virago!...
Montei-a, solto, sem freio, ao vento
E nem calculam qual foi meu alento!...

( Manuel Nunes Francisco ©® )
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POETAS DE MADRUGADAS

Poetas de madrugadas.jpg

POETAS DE MADRUGADAS

Poetas, esses líricos da noite imensa,
Escrevem cinzento, por vielas escuras,
Coloridas alegrias, como dor intensa,
Procurando na escrita quaisquer curas...
Navegam por resmas, cheios de sonhos,
Caravelas de ilusões, por entre as ondas,
Oscilantes, irrequietas e mares medonhos,
Lançando fateixas e quantas sondas...
São mestres, altas patentes de versejadores,
Cavalgando rimas, mais ou menos ajeitadas,
Lançando revoltas, como suspiros de amores!...
Deitam-se em versos, utopias de palavras,
Pela noite fora, comungando madrugadas,
Sendo que as pálpebras são suas escravas!...

( Manuel Nunes Francisco ©® )
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PORTUGUÊS DE CAMÕES

Português de Camões.jpg

PORTUGUÊS DE CAMÕES

Sou o português de Camões,
Terna língua e feita escrava,
Num corrupio das desilusões
E a outro português vendida,
Numa qualquer feira barata,
Sem um direito a ser ouvida,
Às mais humilhações exposta,
A ver aquele quem mais dava...
Todo o mundo ouve pasmado
E o mestre chora, num pranto,
Traído, às palavras enganado...
E Pessoa dá voltas no túmulo,
Sorriem palhaços, encantados
E o português aceita o cúmulo,
De tal Acordo, para atrasados,
Como se vivesse um encanto!...

( Manuel Nunes Francisco ©® )
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TALVEZ SIM, TALVEZ NÃO...

Talvez sim, talvez não....png

TALVEZ SIM, TALVEZ NÃO...

Nunca menciones sim,
Se a alma não te fala assim!...
Tão-pouco afirmes não,
Caso não haja uma razão!...
Não digas sim, só por dizer,
Que ninguém irá agradecer!...
Nunca o não tal espalhes,
Para que não sejas tu que falhes!...
O sim, tal como o não, são irmãos,
Ambos dando as mãos,
Seguindo os mesmos caminhos
E outras vezes sozinhos!...
São o que são e nada mais,
Quantas vezes tão banais,
Tantas outras ideais
E por rotas principais!...
Se o sim é caravela,
O não é mestre e sentinela,
Andando na mesma viagem,
Por oceanos de coragem!...
Ambos escravos, tanto senhores,
Por tantos mares de amores,
Ondas de negação,
Num êxtase de explosão!...
E o talvez nascerá um dia,
Quase aborto, de uma orgia,
Nas incertezas da certeza,
Mirrado, de tanta fraqueza!...
O sim, será a qual chave,
Sem haver volta que a trave!...
O não, esse será o travão,
Quantas vezes a solução!...

( Manuel Nunes Francisco ©® )
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POETA QUE VOU SENDO

Poeta que vou sendo.jpg

POETA QUE VOU SENDO

Poeta fui, já poeta não sou,
Num corpo que vai fluindo,
Do mundo a que não estou,
No tempo que vai partindo.

De tais margens me afasto,
Remando contra a corrente,
Por este leito quão nefasto
E com nevoeiro pela frente.

Sigo tal percurso das águas,
Caso não haja tempestades,
Levando às costas as tábuas...

Quero construir um refúgio,
Guardando certas saudades
E que me sejam subterfúgio!

( Manuel Nunes Francisco ©® )
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