Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

francisfotopoesiaeimagem

francisfotopoesiaeimagem

MINHAS CAMINHADAS

Caminhadas III.jpg

MINHAS CAMINHADAS

 

Sigo caminhando e ao longo do curso das águas,
Olhando algumas olhas que, ao de cima pairam,
Pelos seus mais caricatos contornos e formação,
Como sem saber, nem pressas, para onde vão,
Mas, ao baixo e no sabor da corrente, deslizam
E, a seus mais perdidos destinos, sem tréguas...
E sem o tempo a contar e por espaço que reste,
Lá se navegam, como se olhares sobre o corpo,
De alto a baixo e em desvios um tanto alheios
Ou, quem sabe, se por promíscuos serpenteios,
Pois que, tal delírio, foi a visão que ofereceste,
Tal como os óleos que deslizam por este tempo...
Atraem o nosso olhar, tais as cores convidativas,
Sem quais reservas, ou questões interrogativas,
Por esses trilhos, demais batidos, que desbravo
E que, perante os que passam, me dizem parvo...
Mas continuarei, por esta minha loucura e ritmo,
Observando tudo o que me rodeia e tal espanta,
Aprendendo o que poucos ousam compreender,
Pois que é de minha natureza e saudável íntimo,
Que a maioria não entende, nem quer perceber...
E se percebessem, elevariam as mãos aos astros,
Esqueceriam críticas, poupando mais a garganta,
Deixando de apontar o dedo, pensando-se castos!...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
Todos os Direitos de Autor reservados e protegidos nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto - Código do Autor. O autor autoriza a partilha deste texto e/ou excertos do mesmo, assim como a imagem inédita, se existente, desde que mantidos nos seus formatos originais e obrigatoriamente mencionada a autoria da obra intelectual.



AQUELE BARQUINHO

Barquinho de cortiça.JPG

AQUELE BARQUINHO

 

Era um pobre barquinho de cortiça
E que descia pelas águas da ribeira,
Nalguma solarenga manhã castiça,
Senão brincadeiras de tarde inteira.

 

É uma recordação que não me deixa,
Daqueles longínquos dias de menino...
E prendia-o numa linha, qual fateixa,
Sonhando, belas horas, em doce tino.

 

Era, simplesmente, navegado à mão,
Para que não se afastasse demasiado,
Pois era o meu brinquedo de devoção...

 

E único... tal, nunca o poderia perder!
Assim, trazia-o sempre bem agarrado,
Para que outro não tivesse que fazer!...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
Todos os Direitos de Autor reservados e protegidos nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto - Código do Autor. O autor autoriza a partilha deste texto e/ou excertos do mesmo, assim como a imagem inédita, se existente, desde que mantidos nos seus formatos originais e obrigatoriamente mencionada a autoria da obra intelectual.

 

ÁGUAS DE INFORTÚNIO

Águas de infortúnio.jpg

ÁGUAS DE INFORTÚNIO

 

Águas que desabam e inundam os campos
E que lavam as estradas, por onde passam,
Encharcam almas, gélidas e que necessitadas,
Num desconforto e tortura, de almas penadas,
Enquanto, outros mais, não vêem, nem pensam,
Na sua avidez e conforto, peito e cinto esticado,
Soberbo relógio, calça vincada e oiro pendurado,
Sob quantas pontes correm tais rios de degredos...
Pingam forte, ou simplesmente de mansinho,
Mas molham e fazem correr outras tantas águas,
Tantos são os olhos e maiores são as mágoas,
Em que cada, triste e esquecido, no seu cantinho,
Mói e remói, em quantos assuntos mergulhado...
Para quantos sobrevivem, viver não é um achado!
Águas, que te encharcam o corpo e tuas vestes,
Limpam as pedras da calçada, de uma assentada
E, nesse teu buraco, nada te resta, se te despes,
Tanto que é essa a única roupa e além do nada...
E choras, reclamando algo e ao que tens direito,
Sem que ninguém te escute, sentado nesse teu leito!...
Desembrulhas algumas côdeas e já molhadas, de pão,
Bolorento, que algum contentor de lixo te forneceu,
Bebendo água da chuva, com esse outro teu irmão,
Que, por longas e percorridas estradas, te conheceu...
E vais mastigando, como podes, na falta de dentes,
Enquanto extrais parte de algumas partes podres,
De uma mísera fruta e que, por sorte, veio à mão,
Partilhando palavras de conforto, nessa escuridão,
Por quantas histórias e deveras tristes, para contar,
Com quanto exteriorizas o que mais tens e sentes
E mal-aconchegado nas tuas roupas e seus odores...
Num improvisado tecto, de latas que te cobrem
E que recolheste num descampado, bate a chuva,
Escorrendo por incerta e ferrugenta parte lateral,
Enquanto, nessa tua mente, já demasiado turva,
Questionando, mais uma vez, se voltas a acordar
E pensando naqueles que, como tu, tanto sofrem,
Reclamas por algum descanso, merecido e final,
Ao que tuas águas, salgadas, à chuva se enlaçam,
Por passeios, onde passeiam quantos te abandonaram...
Para eles, não passas de mais um indolente, por conceito
E, teres vindo ao mundo, não foi virtude, mas um defeito!

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
Todos os Direitos de Autor reservados e protegidos nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto - Código do Autor. O autor autoriza a partilha deste texto e/ou excertos do mesmo, assim como a imagem inédita, se existente, desde que mantidos nos seus formatos originais e obrigatoriamente mencionada a autoria da obra intelectual.

BOCAGE, O POETA

Bocage, o poeta II.jpg

Bocage, o poeta.jpg

BOCAGE, O POETA

 

Bocage, poeta das emoções,
De escritas e palavras mordazes,
Pinga-amores, luz de corações,
Frontal, a que houve de audaz,
A que outros não foram capazes
E por esse tempo tão fugaz...
Mestre de quem obra grava,
Pelas mais linhas do corrosivo,
Autêntico poeta e incisivo,
Daqueles que ninguém trava!
Bocage, mártir do pensamento
E sem rodeios no momento,
Em prova dada e concreta,
Das putas, mas não proxeneta,
Tal e que deixou, à sociedade,
Críticas, na suprema verdade...
Bocage, das ruelas e tavernas,
Mundano e quanto bastou,
Senhor dos becos, não das trevas
E rameiras, que tanto amou...
Bocage, amado da burguesia,
Companheiro do vulgo,
Sem medo de qualquer julgo,
Inconveniente aos safados,
Sem papas na língua, ao que dizia,
Mestre dos mal-amados
E pagando áspero por qual deslize,
Até ao amor, no verosímil que importa
E pelo que morreu a suposta Nize,
Para que, à sua vida, soasse a porta.
Digno e senhor de tamanha verve,
A sua pena ainda hoje desliza e ferve,
Ao encontro de outros idílios, epístolas,
Odes, canções, cançonetas e cantatas...
Ai Bocage, como deixas saudade,
Nos versos, saber e frontalidade!...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
Todos os Direitos de Autor reservados e protegidos nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto - Código do Autor. O autor autoriza a partilha deste texto e/ou excertos do mesmo, assim como a imagem inédita, se existente, desde que mantidos nos seus formatos originais e obrigatoriamente mencionada a autoria da obra intelectual.

BOCAGE

Bocage II.jpg

BOCAGE



Ai Bocage, como tinhas tantas razões,
Com essas tuas palavras, inteligência,
Atacando, quantos na lista de ladrões
E nessa tão diversa escrita e sapiência!



Foi-se a pena e mão, dessas escritas,
Análise genuína e tamanha verdade,
Restando tão semelhantes parasitas,
Para que deixes ainda mais saudade.



Nada mudou, aos teus versos sadinos,
Nada, que nos possa deixar tranquilos,
Nem as moscas, para que igual merda...



Os burros calados, são de tal esplendor,
Que nem sentem o cheiro em seu redor,
Tal tamanho de longínqua massa lerda.

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
Todos os Direitos de Autor reservados e protegidos nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto - Código do Autor. O autor autoriza a partilha deste texto e/ou excertos do mesmo, assim como a imagem inédita, se existente, desde que mantidos nos seus formatos originais e obrigatoriamente mencionada a autoria da obra intelectual.

SENSAÇÕES DE PENUMBRA

Sensações de penumbra.jpg


SENSAÇÕES DE PENUMBRA

 

Beijam-se lábios,
Mordem-se e entrelaçam-se línguas,
Sussurra-se aos ouvidos,
Tira-se o corpo de mínguas,
Libertando sensações,
Em loucas e cavalgadas emoções,
Apaziguando tais corações feridos,
Por correntes de espasmos...
Contorcem-se partes do corpo
E perdidos no tempo,
Nalgum quarto, revestido de penumbra...
Aproveita-se o momento que sobra,
Envolvido em segredos guardados,
Na mais secreta manobra,
Como caixa de Pandora
E fechada a sete cadeados.
... Limpam-se suores,
Águas de Afrodite,
Tais nascentes de amores
E poemas de quem os dite...
Trocam-se alguns olhares,
Aos olhos que são seus pares.
Levantam-se almas feitas nuas,
Procurando roupas que são suas...
Amanhã, o Sol será outro, sorrindo louco
E em busca da noite de há pouco,
Sabendo que foi amante da Lua,
Numa noite que também foi sua.

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
Todos os Direitos de Autor reservados e protegidos nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto - Código do Autor. O autor autoriza a partilha deste texto e/ou excertos do mesmo, assim como a imagem inédita, se existente, desde que mantidos nos seus formatos originais e obrigatoriamente mencionada a autoria da obra intelectual.

PENITÊNCIAS

Penitências.JPG

PENITÊNCIAS

 

Recolho as pedras da calçada e em que tropeço,
Guardo-as na algibeira, já pesada de outras tais,
Levando-as para casa, sobre as quais adormeço,
Num flagelo e para que esqueça as coisas reais...

 

Maior é o sofrimento de quem morre na fome,
Sem cama, qualquer mesa, sem eira nem beira
E torcido sobre o podre colchão, em que dorme,
À espera da misericórdia e que não há maneira...

 

Lá se arrastam, como podem, ou se lhes deixam,
Pois que até mesmo isso e um dia, será proibido,
Como carneiros tosquiados e ao que os esperam.

 

Das pedras em que durmo e arte que me fazem,
Levanto-me, em pensamentos e de corpo dorido,
Arrastando o olhar e feito surdo ao que maldizem...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
Todos os Direitos de Autor reservados e protegidos nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto - Código do Autor. O autor autoriza a partilha deste texto e/ou excertos do mesmo, assim como a imagem inédita, se existente, desde que mantidos nos seus formatos originais e obrigatoriamente mencionada a autoria da obra intelectual.

QUEM SOMOS NÓS

Quem somos I.jpg

QUEM SOMOS NÓS

 

Ai, Deus, que dou comigo a pensar,
Naqueles que se pensam ser
Senhores do mundo e parecer...
E mais não consigo encontrar,
Que não sejam palavras vãs,
Pouco meigas e menos sãs
E incapazes de ocultar
Quantas mazelas no ar,
De feridas abertas, sem sanar,
Que sinónimos de praguejar!
Ai, Deus, que somos cobras a rastejar
E sem o qual poder de encantar!...
E fico, simplesmente, a repensar,
Onde irão estes teus filhos parar?...
Às portas do Paraíso e recusados,
Sem passagem pelo Purgatório
E à vez para serem queimados,
Nas labaredas de um tórrido Inferno,
Pois que o Mundo é gélido Inverno
E tão reles e merecido, será o velório!...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
Todos os Direitos de Autor reservados e protegidos nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto - Código do Autor. O autor autoriza a partilha deste texto e/ou excertos do mesmo, assim como a imagem inédita, se existente, desde que mantidos nos seus formatos originais e obrigatoriamente mencionada a autoria da obra intelectual.

 

UNIVERSO DE CRIANÇA

Universo de crianças.jpg

UNIVERSO DE CRIANÇA

 

São crianças, que se espalham por este mundo,
Através dos tempos, mais ou menos, inglórios,
Bafejadas por, mais ou menos, sorte e sorrisos,
Mas que contemplam este Universo e fecundo.

 

São meigas, ou mais traquinas, por esses anos,
São barulhentas, como movimentados pardais,
Saltitantes, sonhadoras, melosas, até não mais,
Correndo ao longo dos campos e sem destinos.

 

Mas as desilusões somam, ao passar do tempo,
Restando os prazeres, que as vão encantando
E cantarolando a letra que lhes vão cantando...

 

Parabéns à criança, que tantos anos comemora,
Que seja feliz, aos seus desejos de melhor hora
E que os sonhos sejam da protecção de Olimpo.

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
Todos os Direitos de Autor reservados e protegidos nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto - Código do Autor. O autor autoriza a partilha deste texto e/ou excertos do mesmo, assim como a imagem inédita, se existente, desde que mantidos nos seus formatos originais e obrigatoriamente mencionada a autoria da obra intelectual.

Pág. 1/3

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D