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TAPETE CINZENTO

Tapete cinzento.jpg

TAPETE CINZENTO


Olhei ao alto e sorri de contente,
Pois que, finalmente,
Tinha-se estendido o tapete
E não iria tardar a chuva,
Após um Verão tão diferente;
Os campos seriam alimentados,
Após irrigação tão demorada…
Era um voltar a ter esperança.
Em toda esta mudança,
É ver pássaros atrapalhados,
Com tal água bem mandada…
Se a terra, solta, a reclamava,
Melhor o infinito a enviava
E toda a natureza agradecia,
O que há tanto se pedia
E num frenesim delirante…
Seria um festejo de ora avante,
Nesta terra que encharcava.
... Tudo corre, minha gente,
Uns para trás, outros pra frente,
Sem guarda-chuva que aguente…
E além da vista alcançada,
Vai-se ouvindo a trovoada,
Em chuva a cântaros, entornada,
Num verdadeiro tudo, ou nada.
... Eu espreito da janela,
Este cenário de repente
E a mim não chegará ela!

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
Todos os Direitos de Autor reservados e protegidos nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto - Código do Autor. O autor autoriza a partilha deste texto e/ou excertos do mesmo, assim como a imagem inédita, se existente, desde que mantidos nos seus formatos originais e obrigatoriamente mencionada a autoria da obra intelectual.

 

NO DECORRER DO TEMPO

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NO DECORRER DO TEMPO

 

... Eis tristeza e desilusão,
Tanta malvadez e corrupção
E que, ao decorrer dos tempos,
Nos arrefecem pensamentos.

 

... Fiz amigos e inimigos,
Por trás de portas e postigos,
Procurando seus interesses,
Orados nas melhores preces.

 

... Acordei a tempo e horas,
Fugindo a certas tramóias,
A enredos mais conspirados
E esquemas bem desenhados.

 

... Sobrevivendo às pedradas,
De quantos, a mim lançadas,
Que pareciam tão honestos
E que dos mais engravatados.

 

Porém, aqui estou, a pensar
E na vontade de os chamar,
Meditando de tanta luta,
Os maiores filhos da puta!...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
Todos os Direitos de Autor reservados e protegidos nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto - Código do Autor. O autor autoriza a partilha deste texto e/ou excertos do mesmo, assim como a imagem inédita, se existente, desde que mantidos nos seus formatos originais e obrigatoriamente mencionada a autoria da obra intelectual.

O HOMEM E O TEMPO

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O HOMEM E O TEMPO

 

Hora para a frente e ora pra trás,
Guerra ao meio-dia do zénite,
Mas tu, Sol e único, quem me dás
Qualquer hora pra meu deleite.

 

Deixem de enganar o momento,
Pois que o Sol nunca obedece
E que mais célere, ou mais lento,
É a hora que nos acontece.

 

Outros se vendem, nunca o astro,
Guardião, rei e omnipotente,
Àquela hora sempre presente...

 

És, no nosso navegar, o mastro,
Essa bússola e que nos conduz,
A força, esperança que reluz...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( francisfotoProfimagens ©® )

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MORTOS-VIVOS

Mortos-vivos.jpg

MORTOS-VIVOS

 

Somos gente acomodada
E pessoas de pouca força,
Dormindo, de mal acordada
E sem que alguém por nós torça.
Somos aquilo que merecemos,
Por tanta falta de orgulho
E tanto ao fundo descemos,
Nesta tristeza e barulho.
Vivendo cada dia à rasca,
Sem a vontade para lutar,
Passando o tempo na tasca,
Ou por casa e a lamentar.
Esperamos um Sebastião
E que nos venha para salvar,
Esperando, nesta confusão,
Na calma e no deixa andar.
Somos esse povo tão feliz,
Diz o Governo e com razão,
Pois se é ele quem nos o diz,
Nem há direito a discussão.
Dancem e saltem, de contentes,
Pois que a vida são dois dias
E com promessas e foguetes,
Te convencem do que querias.
Neste andar de mortos-vivos,
Vamos seguindo o caminho,
Adorando ser enganados,
Com estaladas no focinho...
Acordem, que chegou a hora,
Deem coices, basta de festas,
Ao que, por esse mundo fora,
Há quem vos alcunhe de bestas!
Essas mentes engravatadas,
Que vos iludem a preceito,
Comem-vos as veias sugadas
E despojam o vosso leito.
Ai, almas lentas e penadas
E já sem rumo para a vida,
Deixem de ser almas mandadas,
À espera da despedida!...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
Todos os Direitos de Autor reservados e protegidos nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto - Código do Autor. O autor autoriza a partilha deste texto e/ou excertos do mesmo, assim como a imagem inédita, se existente, desde que mantidos nos seus formatos originais e obrigatoriamente mencionada a autoria da obra intelectual.

ELEIÇÕES NO BRASIL

Eleições no Brasil.jpg

ELEIÇÕES NO BRASIL


Com a aproximação das eleições no Brasil, ainda não consegui entender qual a preocupação quanto ao Bolsonaro, no que diz respeito aos brasileiros, portugueses e restante do mundo. Todos, – ou quase todos, pagando o justo pelo pecador! –, só pensavam em samba, cachaça e Carnaval; enfim, "curtir" e, pela mesma ordem de ideias, todos compravam viagens para o Brasil! Tal como em Portugal, foi o deixa andar, escancarando as portas à corrupção, no geral, mas o importante era viver e depois logo se veria... Semearam ventos e colheram tempestades e Portugal vai comer por tabela: esperem pela pancada! Não se admirem se, quando menos esperarem, aparecerem uns Bolsonaro(s), entrando pela mesma razão e porta, pois que, agora, pouco importa, havendo que gozar o momento... Depois gritam e batem com a mão no peito, porque Deus está, – onde estiver e para quem acreditar! –, lá em cima, para proteger os nossos pecados e estupidezes. Cada um tem aquilo que merece, com todo o respeito ao povo brasileiro e aviso aos portugueses, que mais deveriam fazer e por as barbas de molho...

FILHOS DE FANTASMAS

Gente de merda.jpg

FILHOS DE FANTASMAS

 

Somos filhos de fantasmas
E fantasmas não têm paz,
Deambulando pelas ruas,
Cada qual no que é capaz.
Somos armas, somos vítimas,
Somos o que mais quisermos,
Almas penadas, malditas
E presos no que fizermos...
Amordaçados nas acções
E naquilo que dissermos,
Se não procurarmos razões
Para a vida a que nascemos.
Presos ossos por arames
E cangalheiros por conta,
Aguentando vexames,
Olhados de pouca monta;
Somos almas que não contam
E nos tempos que advêm,
Pensamentos que estorvam,
Nas palavras que contêm...
Somos tudo e sendo nada,
Se nunca fizermos por tal,
... Triste rota malfadada,
Deste enfermo Portugal;
Passeantes mortos-vivos,
Bem estatelados e ao Sol,
Como o Diabo e sabidos,
Mas com penhoras no seu rol...
Amanhã é mais um dia
E não importa o que seja!...
Há que esquecer a azia!...
Que nos sirvam de bandeja!

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
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TEMPO PARA TUDO

Tempo de cobras.jpg

TEMPO PARA TUDO

 

Há um tempo para amar
E o momento para odiar...
Há um outro para salvar
E quantos para matar...
Há um tempo para tudo
E nesta merda de mundo;
Pois basta de tanto cagar,
No que andamos a lavar...
Vamos ter que dar a volta
Ao que nos bateu à porta,
Batalhas a nosso sumpto
E por tal jardim corrupto...
Chegou o tempo de lutar,
Toda a verdade espalhar,
Tal podridão escorraçar...
E que não ousem regressar!
Eis chegado o momento,
De fazer um julgamento,
Depois de tanta fartura
E tal abjecção que dura...
Há que depenar abutres
E outros que tanto futres,
Triturando tais serpentes
E rasgadas pelos ventres...
Mordidas no seu veneno
E fritas no meio de feno,
Na honra a que merecem
E enquanto ninhos ardem...
Que podre espécime este,
Que sendo tão diferente,
Tanto e mais, é parasita,
Nas frases que regurgita!...
E mais parecendo santos,
Em promessas e encantos,
Por entre vidas de prantos
E por tanto ficando fartos...
E esse tempo já é demais,
Chega de lobos e chacais!...
E é momento que findou,
Na revolta que começou!...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
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MUNDO ANIMAL

Sigmund Freud IV.jpg

MUNDO ANIMAL

 

Derrapando pelo mais imprevisto,
Abrindo alas por opacos caminhos,
Escolhem rotas ao que nunca visto
E cada qual persegue pergaminhos...
No cimo das escarpas, o leão ruge,
Ao longe, chacais e coiotes, uivam,
Enquanto os morcegos se achegam
E as corujas mostram de sabedoria,
Mas que muito pouco isso lhes vale,
Tantos os asnos que calcam o vale...
As águas correm e levam caminho,
Por escuridão de tanta harmonia,
E coitado do bicho que fale fininho
E de fraco e sem força, nem muge...
Sopram os ventos e vindos de suão,
Enganando cata-ventos por Norte
E rodando ao que lhe vem à mão,
Pois qual direcção não lhe é sorte.
Eis as hienas e que se aproximam,
Esfomeadas, vorazes pela comida
E desgraçado quem se lhes cruze,
Tal a avidez em tanto desmedida...
Batuca a ressonância do primata,
Num agitar o peito e que gritam,
Dando o sinal duma seita já farta
E que, adiposos, demais nos luze.
Até o insecto lhes serve de pasto,
Saciando gulas a quem mais forte
E bastando um dia mais nefasto
E quem a sua sina nada importe...
Eis a triste lei pela sobrevivência,
Tal a selva urbana desmesurada
E em que pouco resta da ciência,
Num universo de tanta dentada
E salve-se o quem demais burro,
Sem o direito ao menor sussurro,
Pois que tal lugar é dos espertos
E outros quantos tão encobertos...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
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