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SEMENTEIRA DA VIDA

Sementeira da vida.jpg

SEMENTEIRA DA VIDA

 

Dalgum passado, miro o futuro
E cujo presente pouco interessa,
É cor escorrida em algum muro,
Na melhor obra, feita à pressa.

 

É a alma de arma enferrujada,
Que já não consegue disparar,
Por nada, ou pouco, ser usada
E a seu tempo é para guardar.

 

É plantação, de tão maltratada,
Que nunca conseguiu dar frutos,
Por mais que melhor semeada...

 

Perdeu-se, no espaço da vida,
Como tudo e nos seus intuitos...
Qualquer sementeira perdida.

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
           ( Imagem da net )
Todos os Direitos de Autor reservados e protegidos nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto - Código do Autor. O autor autoriza a partilha deste texto e/ou excertos do mesmo, assim como a imagem inédita, se existente, desde que mantidos nos seus formatos originais e obrigatoriamente mencionada a autoria da obra intelectual.

 

ESTE CIRCO...

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ESTE CIRCO...

 

Tanto quanto me apercebo, vivo num país, para não dizer circo, de palhaços, fazendo de nós mais palhaços que eles próprios... Simplesmente uma palhaçada! Refiro-me ao circo gerado à volta da manutenção das matas e pela palhaçada dos nossos governantes na sua actuação frente à Comunicação Social, outros palhaços comprados e que nos tentam convencer naquilo que não passa de ridícula encenação e, tudo isto, quando criticam este, ou aquele, que não entrou no terreno, armado em Sapador, de sapatos limpos... Triste figura e, mais triste ainda, nas pessoas que acreditam nesta miserável figura de tais... Cambada de palhaços!!!

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net - Henrique Monteiro, em 25.03.18 )
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PALAVRAS SOLTAS

Palavras soltas.jpg

PALAVRAS SOLTAS

 

A mim, já nada me espanta
Quando se abre a garganta,
Dizendo o que se não deve...
Tantas palavras, sem futuro,
Como pão seco e já tão duro,
Que não convencem alguém...
Espasmos de um zé-ninguém,
Articulações, boas calinadas,
Sem sentido, demais tontas,
À espera de quem as leve...
É poema escrito sem rima,
Tentando subir ao de cima,
Impresso no melhor papel
E feito embrulho de farnel;
Alquimia de quem procure
Panaceia que tudo cure...
São vazios, palavras soltas,
Meras pautas incompletas,
Instrumentos desafinados
E em palco abandonados...
Pedra filosofal dos pobres
À falta de metais nobres.

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
            ( Imagem da net )
Todos os Direitos de Autor reservados e protegidos nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto - Código do Autor. O autor autoriza a partilha deste texto e/ou excertos do mesmo, assim como a imagem inédita, se existente, desde que mantidos nos seus formatos originais e obrigatoriamente mencionada a autoria da obra intelectual.

SER POETA III...

Ser poeta III.jpg

SER POETA III...

 

Quero aprender, nessa mestria,
Calor frenético, poética melodia,
Nas palavras e sequiosa Florbela:
"Ser poeta é ser mais alto"...
Nessa verdade, ser poeta é tudo isso,
Tanto que tal e muito mais...
É gritar mais alto no silêncio,
Naquilo em que não se conforma
E que, de uma ou outra forma,
Lhe dá vómitos, visando a seu redor.
Ser poeta, é perceber toda a dor
Que nos demais é afronto,
É criar no conformismo a luta,
Moderar batalhas, a disputa...
É tentar declarar o que é omisso,
Viver para além de qualquer ócio,
Navegando na tempestade
E levar a nau a seguro cais...
Perceber o quanto a vida é bela,
Maravilhosa, – até na maluqueira! –,
Como pétala colorida de roseira,
Mesmo nascida brava e no monte,
Perdida num matagal,
Ou do mais soberbo quintal
E perfeito jardim, onírico roseiral
Regado com água da fonte...
De poética cascata, divinal
E que no final da leitura
É sedução que perdura
Nas linhas de saudade.
Como tinha razão, a Espanca
E tão mal compreendida...
Invejada, por ser tão franca,
Em tudo quanto amou
E ao que se fez perdida...
Uma lição, na poesia que nos deixou.
Ser poeta, é ver na cegueira de outros,
Ser membro de um clube de loucos,
Ser humanista por natureza,
Visionário, rico de vida na rica pobreza...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
            ( Imagem da net )
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TAIS PARECENÇAS...

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TAIS PARECENÇAS...

 

Entre a corja, que se governam
E aos que entram pelo telhado,
Poucas diferenças os separam,
Quando colocados lado a lado.

 

Touros, pelo meio da manada,
Em busca dos melhores pastos,
De vez em quando à cornada,
Mesmo abarrotando de fartos.

 

Aves de rapina, em voo picado,
Escolhendo, lá do alto, a vítima,
E, nesse papel mais desgraçado,
Sem direitos ao que se lastima.

 

Raposas, já dentro da capoeira
E lobos inchados, de tão cheios,
Escolhendo quem, nessa fileira,
Será o próximo dos primeiros...

 

Predadores, nada respeitando,
Invadindo seja qual o território
E nunca olhando o outro lado...
Presas, num definido inglório.

 

E quem paga é o zé-povinho,
Aos demais e que se enchem,
Enquanto uns bebem o vinho,
Outros, à fome, que se lixem.

 

Triste a dança que nos deixam
E a música que ao ouvido dão,
Para os que nunca se queixam,
Melodia, num toque de violão.

 

No que nos resta e por direito,
Sobram-nos as côdeas do pão,
Enquanto mais nada for feito,
Contra essa seita dum cabrão...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
            ( Imagem da net )
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À LUZ DA CANDEIA

À luz da candeia.jpg

À LUZ DA CANDEIA

 

Ai, este azeite que escorre
Lentamente da minha almotolia!...
Encheste a candeia de quem morre
E, no acariciar da última batata fria,
Vejo o teu fio, em toda esta escuridão,
Doirado alimento de amor,
Derretido no melhor sabor
E na penumbra da confusão.
Lembro o tempo da tua riqueza,
O tempo que transportas em ti,
Esse orgulho, nessa beleza,
Lembrança dos tempos em que parti...
E já lá vão alguns anos, tantos,
Que já quase me esqueci
E foram tantos os maus momentos,
Mas nem por isso esmoreci...
Pelo contrário, criou-me vida!
Alimentou-me algumas fraquezas,
Oleou-me algumas peças
Nesta incansável corrida.
Assim e agradecido, te recordo
A esta luz da candeia...
Neste teu viscoso e gordo,
Que nesta noite me premeia.

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
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NESTE GRITO ME REPITO

Neste grito me repito.jpg

NESTE GRITO ME REPITO

 

Não me importa se me repito
No que escrevo ao momento,
Será mais forte esse meu grito
Ao que me vai no pensamento.

 

Sigo-me, nesta forte convicção,
Ausente de religião e políticas,
Escravo desta enraizada razão,
Sem sombra de outras míticas.

 

Repito-me neste meu rosário
E tal que por mais necessário,
Pois tanto é este meu desejo
Em ver algo que menos vejo...

 

Por isso me repito, bem alto,
A que todos me possam ouvir,
Neste anseio que vos reporto,
Louco por fronteiras de partir.

 

Acordo, num vosso adormecer
Em camas que a pouco levam;
Vazio, nesse vosso entorpecer
A vozes que não vos chegam...

 

Desanimo no quanto escrevo,
Nestas letras, soltas ao vento,
Águas quentes em que fervo,
Panos frios ao meu lamento...

 

Mas repito este meu pranto,
Num grito que não aguento
E tantos são meus clamores
Nestas chagas, tantas dores...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
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TAIS MEMÓRIAS

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TAIS MEMÓRIAS

 

Percorro essas minhas memórias,
Naquilo que um dia me adormeceu,
Recordando as quantas histórias,
Contos que já não me adormecem,
Em tanto que já me esqueceu
E nestes vícios que acontecem.
Esqueço quais margens percorridas,
Desde que ínfimo interesse tenham,
São águas passadas, em lagos contidas,
De tempos a tempos largadas ao mar,
Em golfadas de espuma, soltas do ar
E correntes de estuário que as levam...
São ondas perpétuas, que criam insónias,
Águas que não movem moinhos,
Mas que lavam à passagem,
Seguindo para longe, numa miragem
E que só sustentam remoinhos...
São feixes de luz por entre as sombras,
Escala de cinzentos no preto e branco,
São extensões repletas de lombas,
Pés corroídos de qualquer banco;
Perfeitas mentiras, no maior espanto,
Em muitas estórias de mero encanto
E nem sempre as mais idóneas...
Memórias, tantas vezes mal contadas
E que é melhor não relembrar;
Outras tantas vidas mal fadadas,
Que não vale a pena chorar...
Olho essa longínqua paisagem,
Em percorridos caminhos do Sol,
Nesta minha corrente a jusante,
Para descansar, finalmente,
Da mais turbulenta viagem,
Desta vida que foi meu rol...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
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REVOLTA E LIBERDADE...

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Fome #1.jpg

Fome #2.jpg

REVOLTA E LIBERDADE...

 

Levantem-se as armas, os punhos aos céus,
Revoltem-se os explorados, desprotegidos;
Apontem de frente, a quantos e usurários
Que vos teçam escravos, a privilégios seus.
Saiam às ruas, em gritos e demais acções,
Na defesa a tudo e a qual tenham direito,
Deixem a vossa força rebentar nesse peito,
Na busca de quantos, essa corja de ladrões...
Soltem as mordaças com que vos calaram
E respirem livres, no ar que vos deu vida,
Sabendo a garra que as mãos vos tentam
E teimam espremer, nessa alma oprimida...
O mundo é teu, por mais que seja negado,
Ou dividido e por mais que sejas renegado
Nesta selva de predadores, tanto vítima,
Em que diariamente te passam por cima...
Levanta-te, na revolta, nessa tua virtude,
Por igual direito, expelido a este mundo
Tão nu como qualquer outro e plenitude
Da verdade nua e crua... a voz de mudo.
Deixa a tua alma explodir, na libertação
De toda a raiva criada e nessa implosão
A que quantos te obrigaram e famintos
Da tua carne, do teu sangue sequiosos.
Aguarda a qual ajoelhar ao teu perdão,
Nalgum confessar, à tua popular razão,
Num reconhecer desse coroado mérito
E a que nunca ousaram num pretérito.
Haverá quem escreva por linhas tortas,
Tomando apontamentos pouco éticos,
Que ainda irão bater às vossas portas,
Qual carpideiras, com modos poéticos.
Assim e para a mudança de vontades,
Luta, fiel à tua liberdade e ao teu ser,
Pois que nasceste livre e, até morrer,
Serás livre... rendido ao que defendes!

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
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