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NUMA DESPEDIDA

Viagem sem regresso II.jpg

NUMA DESPEDIDA

 

Numa triste, derradeira madrugada,
Há sempre e sem aviso, quem parta...
Como se em fuga a dias de trovoada,
Numa última caminhada e tão farta...

 

Talvez que desígnios da Providência,
Num remate da passagem pela vida
E sendo certo o choro à tua ausência,
Nesta miserável hora da despedida.

 

Deixas as tuas raízes, por este chão
Que te tornará no pó em que serás...
Saudades, brotando de um coração.

 

Nesta corrida final e última viagem,
Que bebas a paz e que agora terás,
Por paraísos, em alada carruagem...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
Todos os Direitos de Autor reservados e protegidos nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto - Código do Autor. O autor autoriza a partilha deste texto e/ou excertos do mesmo, assim como a imagem inédita, se existente, desde que mantidos nos seus formatos originais e obrigatoriamente mencionada a autoria da obra intelectual.

PALAVRAS DE UM VERSO

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PALAVRAS DE UM VERSO

 

Numa escrita, serão o poema
E passando de mão em mão,
Em pensamentos e esquema,
Ou na simples força da razão...

 

E mesmo que palavras soltas,
Sibilando por outro Universo,
Serão e em soberba envoltas,
As luxúrias de um meu verso.

 

Serão palavras, a composição,
Meras linhas de pensamento,
Serão o sonho, ódio, sedução,
Ou orgasmos de sentimento...

 

Ou rabiscos e feitas estrofes,
Em visão de díspar contexto,
Amores dos que mais sofres,
Em críticas de amargo texto...

 

Quer seja poema, um verso,
Ou gatafunhos, de malfeito,
É há algo que não dispenso:
O escrever neste meu jeito!

 

Nos versos, quadras, soneto,
Tudo merece o meu espaço,
Só há algo que não prometo:
Se o não gostar do que faço!

 

E são palavras que confesso,
Em cada verso que eu conto,
Tanto me chamem travesso,
Ou simplesmente de tonto.

 

Às métricas, uso a distância
Dos caminhos que percorro;
Pode ser minha ignorância,
Ou fonte a que me socorro.

 

Disparo, como cavalo solto,
Com freio nos dentes, vivaz,
Apontando coices e revolto,
Sentindo a força no que faz...

 

Amo as críticas construtivas
E quando feitas do coração;
São obra, de tanto evasivas,
Arte, na melhor construção...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
Todos os Direitos de Autor reservados e protegidos nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto - Código do Autor. O autor autoriza a partilha deste texto e/ou excertos do mesmo, assim como a imagem inédita, se existente, desde que mantidos nos seus formatos originais e obrigatoriamente mencionada a autoria da obra intelectual.

MADRUGADAS

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MADRUGADAS

 

Deslizo o meu andar
Pelas pedras da calçada,
Arrastando o meu pesar
E a alma destroçada.

 

Recordo sabores da noite
Em aromas da madrugada,
Prazeres de alguma sorte
Dos braços de uma amada.

 

Murmúrios de embalar
Em palavras de encantar,
Versos de tais amores.

 

Poesia escrita à solta,
Em desabafos de revolta
E sonhos de escritores.

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
Todos os Direitos de Autor reservados e protegidos nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto - Código do Autor. O autor autoriza a partilha deste texto e/ou excertos do mesmo, assim como a imagem inédita, se existente, desde que mantidos nos seus formatos originais e obrigatoriamente mencionada a autoria da obra intelectual.

SILENCIOSO CHILREAR

Pintassilgo.jpg

SILENCIOSO CHILREAR

 

Neste silencioso chilrear dos pássaros,
Imito seus cantos, noutros compassos,
Lanço meus voos por outros universos,
Sobrevoando sonhos e outros paraísos.

 

Num saltitar, de ramo em ramo, piam,
Na inocência, devaneios, como picam,
Na única preocupação com que ficam,
Retendo este meu olhar, que os fixam.

 

Como prova das vénias desta gratidão,
Aproximam-se e em tal compreensão,
Que meu coração acelera na pulsação.

 

São momentos mágicos e tão únicos,
Que penso absurdos, de tão oníricos,
Se tanto não fosse em meus espaços.

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
Todos os Direitos de Autor reservados e protegidos nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto - Código do Autor. O autor autoriza a partilha deste texto e/ou excertos do mesmo, assim como a imagem inédita, se existente, desde que mantidos nos seus formatos originais e obrigatoriamente mencionada a autoria da obra intelectual.

SEI QUE É POUCO

Sei que é pouco.jpg

SEI QUE É POUCO

 

Conheço bem esse teu olhar
E tanto amargo da tua alma;
Percebo tão bem o teu falar,
Quando te calas nessa calma.

 

Sei que é pouco no que tenho
E pouco mais tenho para dar,
Mas outro dia serei tamanho,
Ao que mais houver a sonhar.

 

E segredam-me os pássaros,
Num acordar de madrugada...
Chilreiam-me a novos passos.

 

Amanhã e noutros cansaços,
Noutra melodia encontrada,
Seremos mais que abraços...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
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SILÊNCIOS

Solidão.jpg

SILÊNCIOS

 

É no maior dos silêncios
Que se apuram pensamentos,
Que se vivem melhores momentos,
Que se entrelaçam sentimentos...
Que se curam as piores desilusões,
Que se constroem ilusões,
Que se questionam razões
E se armam rebeliões...
Que se suspiram prazeres,
Que se projectam afazeres,
Que sonhas os teus lazeres
No silêncio do que não disseres...
É nos silêncios profundos,
Que se descobrem outros mundos,
Que se conspiram jogos imundos,
Guerras, negócios, amores escondidos...
No silêncio e recanto da noite, da paisagem,
Tudo é perfeito, numa possível miragem,
É um recompor da coragem
Por entre tanto selvagem...
É cura de arrepios, ganhar de confiança,
Um rebuscar de toda a lembrança,
Criar batalhas de nova esperança
E sem receios da sentença...
Mergulhar no silêncio, é ter vontade,
Fazer contas à maldade,
É ganhar fôlego da liberdade,
Sonhar um mundo de fraternidade...
O silêncio, é o redimir da ostentação,
É pensarmos na nossa razão,
No que houver de confusão,
Abrindo as portas do coração...
A busca do silêncio, é indagar o lamento,
Suturar as feridas do sofrimento,
Fazendo da solidão do Universo alimento
E deixar fluir a imaginação, como o vento...

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
( Imagem da net )
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VIAGEM SEM REGRESSO

Viagem sem regresso.jpeg

VIAGEM SEM REGRESSO

 

Por norma e quando morrer,
A este universo doarei tudo,
Sem direito a reclamar.
No quanto que levarei,
Serei aquilo que cá deixar...
O sonho, ilusão, sofrimento,
Lágrimas de um tormento,
A obra e a arte, dedicação
E um orgulho de quem sou,
Árvore que nunca abanou,
Nascente que rostos lavou,
Rio que águas levou,
Argila que a mão moldou;
Quem nunca a besta beijou,
Nem a um deus se entregou,
Em tal mundo de confusão...
E quantas vezes comendo,
Entre quimeras engolindo,
O pão que o Diabo amassou.
Serei a pedra no cimento,
Argamassa do que sei,
Pintura de cal luzidia,
Palavra na voz de um mudo,
Mestria nalgum saber,
Luz da alma, noite e dia,
Punho de qualquer momento
E estando sempre por perto.
Serei tudo, menos paspalho!...
Rocha, por entre o cascalho,
Água fresca no deserto,
A chama, em noites de Inverno,
Extrema-unção dos pecadores,
Antes de partirem pro Inferno...
Segredo de quantos amores!
Deixarei saudades,
No meio de algumas certezas
E quantas mais incertezas,
Por entre muitas verdades...
Levarei tudo, sem levar nada!
Por tamanha minha vontade,
Espalharei força, recados,
Em prol dos desgraçados,
De qual vida malfadada
E à mão de tanta maldade.
Partirei, no desejo de regresso
E por lamas que não confesso,
Nem nas linhas de um verso...
Serei saudade do controverso
E, em tudo o que cá deixo,
Pouco sendo o que me queixo.
Não querendo ser plural
E muito menos ser igual,
Tudo me soube a pouco...
E deveria ser mais louco!

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
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AS TRÊS ESTAÇÕES DA VIDA

Estações da vida.jpg

AS TRÊS ESTAÇÕES DA VIDA

 

Que interessa elevar ao Céu,
Se o que amo está na Terra!?
Fico por aqui e feito de réu...
Em toda esta minha guerra!

 

O Inferno, tal já eu conheço,
Sempre nos dias que acordo
E não sabendo se o mereço...
Faço com o Diabo o acordo!?

 

O Purgatório pouco interessa
E porquanto tanto o sabemos...
Que não há porta da ravessa!

 

Todas estas estações da vida,
Algo demais não merecemos...
Só nos falta a chave perdida!

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
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TENTAÇÕES

Tentações.jpg

TENTAÇÕES

 

Sempre que algo corre mal,
São, em Deus, lamentações!
Quando o desejo é original,
São as diabólicas tentações!

 

Não sei quem mereça razão,
Mas entrego-me à perdição!
Sem temer qualquer castigo,
Eis a verdade que bem-digo!

 

Fazendo da vida um pecado,
Quero deslumbrar o Paraíso,
Enviando a Deus tal recado...

 

Na Terra, que seja o calvário
E vivendo o que for preciso...
Pelas contas de um rosário!

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
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DANÇAS DE REFLEXÃO

Fundo do mar-Açores.jpg

DANÇAS DE REFLEXÃO

 

Dançam os corvos com as andorinhas,
Os melros, estorninhos e os pardais,
Bailam pintassilgos, com as cotovias,
Mochos, corujas, eu sei lá o que mais...
Festejando todos e quantos animais.
Comemoram as hienas e os chacais,
O rei leão, cortejando seus súbditos
E serão convidados alguns crocodilos
A fazer parte desta proclamada festa
E lá vão chegando de qualquer parte,
A essa clareira preparada, na floresta,
Em oferenda de cada qual a sua arte...
Por entre as ondas sacudidas do mar,
Eis chegado o tempo certo de dançar
E, num andar de rodopio, os peixes,
Enrolam-se pelos cantos do oceano,
Vêm, a todo o jeito e em cardumes,
Num lado a lado de quantas baleias,
Embalados nalgum canto de sereias,
Em manifestos jogos, mano a mano
E, em tal festim de confraternização,
Estonteante e lida prosa, feita verso,
Fazem-se preparos de futura união...
E por recantos perdidos do Universo,
Esse bicho homem faz o seu possível
E manifesta vontade pouco credível,
A que alguma paz seja arma futura,
Pelo meio de mais uma das guerras,
De tantas e que há milénios já dura,
Neste mundo comandado por feras,
Em prioritários acordos de riqueza,
Por paragens devastadas por ódios,
Arautos do mal e danças de pódios...
Enquanto outros caem na pobreza!

 

( Manuel Nunes Francisco ©® )
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